Carta Pastoral | Tempo de Sedes Vacans

 CARTA PASTORAL 

TEMPO DE SEDES VACANS


DOM FREI LUÍS SANTOS LORSCHEIDER, OP
BISPO DIOCESANO DE ITAGUAÍ,

A todo o povo santo de Deus espalhado pela terra, saúde, paz e consolação no Senhor ressuscitado.

Amados filhos e filhas da Igreja, herdeiros da fé apostólica,

A Augusta Sé de Pedro encontra-se vacante. Este fato, sempre grave e venerável na vida da Igreja, envolve todo o Povo de Deus num profundo silêncio contemplativo, como à porta do Cenáculo, quando os discípulos aguardavam, em oração unânime, a luz do Espírito Santo. O trono do Pescador está agora velado, e os sinais pontifícios recolhidos, indicando à Igreja que ela entra em um tempo extraordinário de vigilância, esperança e súplica.

A Cátedra do Bem-Aventurado Apóstolo, que durante séculos guiou, instruiu e confirmou na fé os filhos da Igreja, encontra-se desprovida de seu Pastor. Contudo, permanece inabalável a promessa de Cristo: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos.” Assim, ainda que desprovida do Romano Pontífice, a Igreja não está órfã, pois o Espírito Santo continua a conduzi-la com mão firme e invisível, sustentando sua integridade, sua missão e sua santidade.

Este tempo singular, regulado pelas sagradas normas e pela tradição perene da Igreja, é também ocasião de profunda catequese. Aprende-se, neste silêncio solene, a reconhecer que toda autoridade, ainda que santa e necessária, é apenas instrumento da única Cabeça da Igreja, que é Cristo Senhor. A vacância do Sumo Pontífice recorda-nos que a Igreja não se apoia em forças humanas, mas na graça que procede de Deus.

Exorto, pois, todos os fiéis, desde os eminentes Cardeais até os mais simples batizados, a acolherem este período com coração dócil e espírito humilde. A disciplina própria do tempo de Sedes Apostolica Vacante pede sobriedade nas ações, fidelidade aos usos e normas estabelecidas, e vigilância pastoral, para que nada se introduza que possa ameaçar a unidade, a ordem e a paz da Igreja universal

Aos queridos pastores, presbíteros e diáconos, suplico que mantenham a integridade da vida sacramental e a dignidade da liturgia. Cesse tudo aquilo que é próprio do Romano Pontífice, mas permaneça aceso o ardor apostólico que sustenta as comunidades. Que as igrejas, durante estes dias, conservem um tom de recolhimento, e que os fiéis percebam, na nobre simplicidade da liturgia, a expectativa confiada do rebanho que aguarda seu Pastor.

Que em todos os templos, desde as venerandas basílicas até as mais humildes capelas, se eleve um coro uníssono de súplicas, para que o Pai Celeste, que conhece os segredos dos corações, inspire os Eminentíssimos Cardeais a escolherem aquele que deverá ocupar o Trono Apostólico. Que seja um homem de fé ardente, de prudência firme, de reta doutrina e de caridade sem limites; um Pastor capaz de confirmar os irmãos e de conduzir a barca da Igreja pelos mares tranquilos e tempestuosos dos nossos tempos.

A cada família cristã, peço que se una espiritualmente aos dias do futuro Conclave, oferecendo orações, sacrifícios e obras de misericórdia. Que todo o povo de Deus viva como Israel em vigília, velando pela aurora que há de vir, sabendo que, quando o novo Pontífice subir ao balcão da Basílica Vaticana, não apenas um homem será mostrado ao mundo, mas o sinal visível da fidelidade de Deus à Sua Igreja.

Que nada nos perturbe, nem nos divida, nem nos desvie da firme confiança em Cristo. A Igreja é de Deus, fundada sobre a rocha, e as portas do inferno jamais prevalecerão contra ela. O tempo de Sedes Apostolica Vacante é, acima de tudo, um convite à profundidade da fé, à comunhão e à esperança que não decepciona.

Enfim, consagremos este tempo à proteção da Virgem Maria, Mãe da Igreja e Rainha dos Apóstolos. Que Ela, que acompanhou a Igreja nascente com sua oração silenciosa e poderosa, proteja o Colégio dos Cardeais, ilumine seus trabalhos e sustente, com sua intercessão, a escolha daquele que será chamado a ocupar a Cátedra do Príncipe dos Apóstolos.

Que o Senhor da glória, que dirige a história com sabedoria eterna, conduza estes dias santos, e que a Igreja inteira, unida na oração e na caridade, possa em breve exultar ao receber aquele que será o novo Vigário de Cristo na terra.

Dado no Tempo de Sedes Apostolica Vacante.


+ Frei Luís Santos Lorscheider, OP 
Bispo Diocesano de Itaguaí 





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