HOMILIA DA FESTA DE SÃO FRANCISCO XAVIER
III.XII. MMXXV
Nascido em Xavier, em Navarra, Espanha, em 1506, como estudante em Paris, entrou em contato com Inácio de Loiola. Em 1534 fazia os primeiros votos em Montmartre com o primeiro grupo que lançou os fundamentos da nova Ordem.
São Francisco Xavier é conhecido sobretudo como missionário das Índias Orientais e, mais precisamente, das zonas de influência portuguesa. O papel de Francisco Xavier não seria o de um pioneiro, mas o de quem começou a dilatar a evangelização mais para o interior das regiões ocupadas pelos portugueses.
No seu afã de "dilatar a fé e o império", os soberanos portugueses costumavam fazer algum missionário acompanhar suas expedições. Já Vasco da Gama, em sua viagem através do cabo da Boa Esperança, levara missionários trinitários em 1498. Pedro Álvares Cabral viajava com vários franciscanos e padres diocesanos. De passagem pelo recém-descoberto Brasil, Frei Henrique de Coimbra aqui celebrou a primeira missa, continuando depois a viagem para as Índias Orientais. Em 1503, missionários dominicanos também aportavam nas Índias.
O mesmo rei de Portugal, Dom João III, que em 1549 obtivera a primeira leva de missionários jesuítas para o Brasil, conseguira antes do fundador dos jesuítas, Santo Inácio de Loiola, missionários para o Extremo Oriente. Tendo adoecido o missionário destinado a isso, Francisco foi designado para substituí-lo. O navio destinado ao Oriente demorou mais de um ano para chegar de Lisboa a Goa nas Índias, onde aportou em 1541.
Nas Índias aguardava-o um apostolado estafante. Iniciou seu trabalho com a catequização das crianças. Em seguida, evangelizava os adultos, passando de aldeia em aldeia, até estruturar Comunidades eclesiais, deixando outro sacerdote missionário da sua Ordem para continuar a obra de assistência religiosa. Visitou ilhas e, em 1549, conseguiu penetrar no Japão. Em 1552, tentaria também a entrada na China, mas, acometido por forte febre, faleceu no dia 3 de dezembro de 1552, na ilha de San Choan, na costa chinesa, com 46 anos de idade.
Apesar do gigantesco empreendimento missionário, pode dizer-se que somente nas zonas de influência portuguesa houve relativo sucesso. Por ter sido o protótipo do missionário moderno, em 1927, ele foi declarado patrono de todas as missões católicas junto com Santa Teresinha do Menino Jesus.
A Oração coleta realça a obra missionária de São Francisco Xavier, que pôs o Evangelho em contato com as grandes culturas orientais, adaptando-o com douto sentido apostólico à índole das várias populações. Afirma-se que pela pregação de São Francisco Xavier Deus conquistou para si muitos povos do Oriente. Pede, a seguir, que Deus conceda a todos os fiéis o mesmo zelo para que a Santa Igreja possa alegrar-se com o nascimento de novos filhos em toda a terra.
A Oração sobre as oferendas faz memória do zelo apostólico de Francisco Xavier. Que Deus acolha as oferendas na festa de São Francisco Xavier, a quem o desejo de salvar a todos levou a terras longínquas. Pede que também nós, dando testemunho eficaz do Evangelho, corramos, com nossos irmãos, ao vosso encontro. A missão pede sempre o sair de si, a desinstalação para chegar ao próximo e caminhar com ele rumo ao destino.
A Oração depois da Comunhão pede que pela Eucaristia celebrada e recebida se acenda em nós o amor que abrasava São Francisco pela salvação das almas.
A graça elevante de Cristo
“Tenho compaixão da multidão, porque já faz três dias que está comigo, e nada tem para comer. Não quero mandá-los embora com fome, para que não desmaiem pelo caminho”.
O Advento, como o próprio nome indica, é um tempo de espera e preparação para a vinda de Cristo. Mas para que nos possamos preparar de modo conveniente, cumpre saber, antes de tudo, para que, isto é, com que finalidade Cristo quis vir ao mundo. É o que nos conta o santo Evangelho, ao referir-nos as seguintes palavras do nosso Bom Pastor (cf. Sl 22, 1), cercado hoje por inumeráveis doentes e esfomeados: “Tenho compaixão da multidão, porque já faz três dias que está comigo, e nada tem para comer. Não quero mandá-los embora com fome, para que não desmaiem pelo caminho”. É verdade que, em sentido mais próprio e imediato, estas palavras aludem ao cuidado físico que o Senhor dispensa à turba de necessitados que o procura. No entanto, significam também, em sentido mais profundo, o cuidado espiritual que Ele veio trazer ao gênero humano, disperso como ovelhas sem pastor e necessitado de redenção. Nesse sentido, Cristo veio ao mundo, fundamentalmente, para reconduzir-nos da morte eterna à vida da graça, para arrancar-nos do poder do demônio e merecer-nos, por seu Sangue, a glória do céu. E esta obra, Ele a leva a cabo por meio da graça santificante, que produz em nós dois efeitos maravilhosos: a) primeiro, como graça elevante, deifica-nos a alma, dando-nos uma participação real na natureza divina; b) segundo, como graça sanante, cura-nos da ferida do pecado, expulsando-nos do coração tudo o que é positivamente contrário à filiação divina [1], conforme o ensinamento do Concílio de Trento (DH 1528): “A justificação propriamente dita […] não é somente remissão dos pecados, mas também santificação e renovação do homem interior, mediante a voluntária recepção da graça e dos dons, pelos quais o homem de injusto se torna justo, de inimigo amigo, para que seja ‘herdeiro segundo a esperança da vida eterna’ (Tt 3, 7)”. E não há melhor maneira de tomar este divino fármaco do que acudir o quanto antes ao sacramento da Penitência, instituído por Nosso Senhor como “segunda tábua” de salvação para aqueles que, depois do Batismo, houverem desgraçadamente caído em pecado. Eis o meio mais excelente de prepararmos a vinda de Cristo neste próximo Natal: assim lhe proporcionaremos em nossa alma uma manjedoura menos indigna, e estaremos vivificados por aquela vida que Ele nos veio merecer por sua morte.
Deus abençoe você!
São Francisco Xavier, Intercedei a Deus por Nós!
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