Amados irmãos e irmãs em Cristo,
“Dou-vos pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com ciência e inteligência” (Jr 3,15). Com estas palavras do profeta Jeremias, desejo dirigir a cada um de vocês uma reflexão sobre a missão do presbítero, dom precioso que o Senhor concede à sua Igreja.
1. O Chamado de Deus
O presbítero é fruto de um chamado divino. Antes mesmo de nascer, o Senhor já o conhecia e o separava para a sua obra (cf. Jr 1,5). Pelo sacramento da Ordem, este homem é configurado a Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote, para agir in persona Christi Capitis, isto é, na pessoa de Cristo Cabeça. Não é uma missão humana, mas participação no sacerdócio de Cristo, que se oferece ao Pai e se doa totalmente pela salvação do mundo.
Assim, o presbítero não pertence a si mesmo: ele é inteiramente de Deus e inteiramente da Igreja. Sua vida é chamada a ser sinal e testemunho da presença de Cristo Bom Pastor no meio do rebanho.
2. O Servo da Palavra
A primeira grande missão do presbítero é ser ministro da Palavra. Ele é enviado a anunciar o Evangelho com fidelidade, coragem e ardor missionário. Sua pregação não pode nascer apenas do estudo, mas deve brotar da oração, da intimidade com Cristo e da escuta profunda das Escrituras.
É pela Palavra que a fé nasce no coração das pessoas (cf. Rm 10,17). Por isso, cabe ao presbítero ser não apenas pregador, mas testemunha viva daquilo que anuncia. Ele deve encarnar a Palavra na sua própria vida, tornando-se sinal da Boa Nova no mundo.
3. O Servo dos Sacramentos
O presbítero é também ministro dos Sacramentos, sinais eficazes da graça. Em especial, é chamado a celebrar a Eucaristia, “fonte e ápice de toda a vida cristã” (LG 11).
Na Santa Missa, ele se coloca no altar como instrumento de Cristo, oferecendo ao Pai, com o povo, o sacrifício redentor. É também no Sacramento da Reconciliação que o presbítero revela de forma concreta a misericórdia de Deus, perdoando os pecados e devolvendo a paz aos corações.
Ao administrar o Batismo, introduz novos filhos e filhas na família de Deus; ao celebrar o Matrimônio, abençoa a união de casais que se tornam sinal do amor de Cristo pela Igreja; ao ungir os enfermos, leva consolo, esperança e força aos que sofrem.
4. O Pastor do Rebanho
O presbítero é chamado a ser pastor do povo de Deus. Esta dimensão pastoral exige dele proximidade, escuta e cuidado. O sacerdote deve estar junto das pessoas em suas alegrias e dores, partilhar suas lutas e esperanças, ser presença de paz e de unidade.
Ele não governa como senhor, mas como servidor. Sua autoridade não nasce do poder, mas do amor. Como Cristo que lavou os pés dos discípulos, o presbítero deve servir com humildade, colocando-se sempre ao lado dos mais pobres, dos pequenos e dos que mais necessitam.
5. O Homem da Comunhão
O presbítero não caminha sozinho. Ele é chamado a viver em comunhão com o bispo, sucessor dos Apóstolos, e com os irmãos presbíteros, formando o presbitério diocesano. Essa comunhão deve se estender ao povo de Deus, às famílias, aos leigos e leigas, às diversas pastorais e movimentos.
Na sua missão, o presbítero deve ser sempre artesão da unidade, nunca da divisão. Ele é chamado a reunir, a integrar, a construir pontes e não muros.
6. O Testemunho da Vida
Mais do que palavras e obras, a vida do presbítero é a sua maior pregação. Seu testemunho de oração, simplicidade, disponibilidade e amor torna-se sinal concreto do Evangelho.
Por isso, é fundamental que o presbítero seja homem de oração. Sem a oração, seu ministério perde a alma; sem intimidade com Cristo, corre o risco de se tornar mera atividade. É também chamado à vida de caridade, à castidade vivida com alegria, à obediência humilde e ao desprendimento evangélico.
7. Exortação à Comunidade
Queridos irmãos e irmãs, é nossa missão rezar pelos presbíteros. Eles são homens de carne e osso, sujeitos a limitações, fragilidades e tentações. Precisam do apoio, da oração e do carinho do povo de Deus. Amemos nossos padres, valorizemos seu ministério e sejamos também nós colaboradores na missão evangelizadora.
8. Palavra aos Presbíteros
E a vocês, amados presbíteros, dirijo uma palavra de encorajamento: permaneçam fiéis ao chamado do Senhor! Mesmo diante das dificuldades e cruzes do ministério, não desanimem. Sejam homens de Deus, homens de comunhão, homens da misericórdia. Não vos esqueçais de que o Senhor vos escolheu não por vossos méritos, mas por sua graça.
Sejam sempre pastores com o “cheiro das ovelhas”, próximos do povo, servindo com alegria e humildade. Lembrai-vos de que o vosso coração deve ser semelhante ao Coração de Cristo: aberto, compassivo e misericordioso.
Conclusão
Queridos irmãos e irmãs, a missão do presbítero é um dom inestimável para a Igreja. Que possamos acolhê-la com gratidão e corresponder com generosidade.
Confiemos todos, presbíteros e povo de Deus, à intercessão de Maria Santíssima, Mãe da Igreja e Mãe dos Sacerdotes. Que Ela nos ajude a viver em fidelidade, alegria e esperança a missão que o Senhor nos confia.
Com afeto pastoral,


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